terça-feira, 17 de abril de 2012

Intermédio

Faço de tudo o que sou uma matéria escura
De tudo o que disse um desperdício de vida
De tudo o que fiz um ruído sem ritmo nas estradas do mundo
Tão sinuosas quanto a própria "ciência",
Tão solitárias quanto a ânsia da impossibilidade de estar só.

Não há beleza na solidão.

Há verde e azul e vermelho e lírios
E a falta de juventude dos afluentes da estagnação,
Relutância em admitir que não sou feliz
Pois só se pode ser feliz quando faz-se o outro sorrir.

Perecer é continuar existindo um existir sem vida por dentro da medula.
Coração falha mas não para, boca consome mas não sacia.

A vida na sociedade é fútil e elogiada,
Mas a vida na Vida é fonte inesgotável que admiro,
De longe, calado, fraco e explosivo.

Todos os sonhos se concretizaram
Todo o mistério estátua de sal...

Volta e deixa teus olhos aliviarem-se nos meus,
Ainda que por pouco de tempo...