sábado, 8 de dezembro de 2012

são cães os que uivam do lado de fora da casa...
(lobos na imaginação, noite, Alaska, famintos, perto de minha fogueira...
procuram minha carne viva, quente,
intentam adiar meu reencontro com os de minha espécie...

pois estou só. presa fácil. o fogo é minha única defesa de sua matilha.
perto do fogo...
muito perto! dores na pele do lado direito do corpo...
viro-me para aliviar a dor e queimo o lado esquerdo agora...
as costas para o fogo...
não posso dar as costas aos lobos! tenho de estar alerta!
alerta...
costas para o fogo... olhos procuram lobos na escuridão...
costas para o fogo...
a dor nas costas queimando é só comparável ao meu medo dos caninos...
passo a virar-me de modo a revesar a dor e
a cada movida de corpo, euforia dos lobos...
famintos...

não posso mais nada se não dar as costas aos lobos!
e viro-me para o fogo, lobos às costas,
olhos fechados, imagino caninos rompendo-me a carne pelas costas...
medo! oro a Deus...
Deus...
Deus...
só de pensar em Deus o medo some...
Paz invade...
fogo não queima...
fogo...
abro os olhos e fito as chamas,
chamas salvadoras!
fogo abençoado!
fito o centro da fogueira que é arte divina abstrata em movimento!
esqueço-me dos lobos,
estou dentro do fogo, e...
o sono profundo me domina... durmo... em paz...

desperto assustado e o fogo é só brasas,
lobos sumiram! sumiram... continuo a caminhada na noite de céu do Alaska...)

E os cães, do lado de fora de minha casa, aqui na rua, continuam a uivar...

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